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8 ago 2010 » 15 Comentários » Mensagem

Mensagem de Dia dos Pais A Caderneta Vermelha

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O carteiro estendeu o telegrama. José Roberto não agradeceu e enquanto abria o envelope, uma profunda ruga sulcou-lhe a testa. Uma expressão mais de surpresa do que de dor tomou-lhe conta do rosto. Palavras breves e incisas:

- Seu pai faleceu. Enterro 18h. Mamãe.

Jose Roberto continuou parado, olhando para o vazio. Nenhuma lágrima lhe veio aos olhos nenhum aperto no coração.

Nada! Era como se houvesse morrido um estranho. Por que nada sentia pela morte do velho? Com um turbilhão de pensamentos confundido-o, avisou a esposa, tomou o ônibus e se foi, vencendo os silenciosos quilômetros de estrada enquanto a cabeça girava a mil.

No íntimo, não queria ir ao funeral e, se estava indo era apenas para que a mãe não ficasse mais amargurada.
Ela sabia que pai e filho não se davam bem.
A coisa havia chegado ao final no dia em que, depois de mais uma chuva de acusações, José Roberto havia feito as malas e partido prometendo nunca mais botar os pés naquela casa.

Um emprego razoável, casamento, telefonemas à mãe pelo Natal, Ano Novo ou Páscoa…

Ele havia se desligado da família não pensava no pai e a última coisa na vida que desejava na vida era ser parecido com ele.

O velório:

Poucas pessoas. A mãe está lá, pálida, gelada, chorosa. Quando reviu o filho, as lágrimas correram silenciosas, foi um abraço de desesperado silêncio.

Depois, ele viu o corpo sereno envolto por um lençol de rosas vermelho – como as que o pai gostava de cultivar.

José Roberto não verteu uma única lágrima, o coração não pedia.

Era como estar diante de um desconhecido, um estranho, um…

O funeral:

O sabiá cantando, o sol se pondo.
Ele ficou em casa com a mãe até a noite, beijou-a e prometeu que voltaria trazendo netos e esposa para conhecê-la.

Agora, ele poderia voltar à casa, porque aquele que não o amava, não estava mais lá para dar-lhe conselhos ácidos nem para criticá-lo.
Na hora da despedida a mãe colocou-lhe algo pequeno e retangular na mão:

- Há mais tempo você poderia ter recebido isto – disse. Mas, infelizmente só depois que ele se foi eu encontrei entre os guardados mais importantes…
Foi um gesto mecânico que, minutos depois de começar a viagem, meteu a não no bolso e sentiu o presente.

O foco mortiço da luz do bagageiro revelou uma pequena caderneta de capa vermelha. Abriu-a curioso. Páginas amareladas. Na primeira, no alto, reconheceu a caligrafia firme do pai:
“Nasceu hoje o José Roberto. Quase quatro quilos! O meu primeiro filho, um garotão! Estou orgulhoso de ser o pai daquele que será a minha continuação na Terra!”

À medida que folheava, devorando cada anotação, sentia um aperto na boca do estomago, mistura de dor e perplexidade, pois as imagens do passado ressurgiram firmes e atrevidas como se acabassem de acontecer!

“Hoje, meu filho foi para escola. Está um homenzinho! Quando eu o vi de uniforme, fiquei emocionado e desejei-lhe um futuro cheio de sabedoria. A vida dele será diferente da minha, que não pude estudar por ter sido obrigado a ajudar meu pai. Mas para meu filho desejo o melhor. Não permitirei que a vida o castigue”

Outra página

“Roberto me pediu uma bicicleta, meu salário não dá, mas ele merece porque é estudioso e esforçado. Fiz um empréstimo que espero pagar com horas extras”

José Roberto mordeu os lábios. Lembrava-se da sua intolerância, das brigas feitas para ganhar a sonhada bicicleta. Se todos os amigos ricos tinham uma, por que ele também não poderia ter a sua? E quando, no dia do aniversário, a havia recebido, tinha corrido aos braços da mãe sem sequer olhar para o pai.

Ora, o “velho” vivia mal-humorado, queixando-se do cansaço, tinha os olhos sempre vermelhos… e José Roberto detestava aqueles olhos injetados sem jamais haver suspeitado que eram de trabalhar até a meia-noite para pagar a bicicleta…

“Hoje fui obrigado a levantar a mão contra meu filho! Preferia que ela tivesse sido cortada, mas fui preciso tentar chamá-lo á razão, José Roberto anda em más companhias, tem vergonha da pobreza dos pais e, se não disciplinar amanhã será um marginal. Foi assim que aprendi a ser um homem honrado e esse é o único modo que sei de ensiná-lo” ·

José Roberto fechou os olhos e viu toda a cena quando por causa de uma bebedeira, tinha ido para a cadeia e naquela noite, se o pai não tivesse aparecido para impedi-lo de ir ao baile com os amigos…
Lembrava-se apenas do automóvel retorcido e manchado de sangue que tinha batido contra uma árvore… Parecia ouvir sinos, o choro da cidade inteira enquanto quatro caixões seguiam lugubremente para o cemitério.

As páginas se sucediam com ora curtas, ora longas anotações, cheias das respostas que revelam o quanto, em silêncio e amargura, o pai o havia amado. O “velho” escrevia de madrugada!

Momento da solidão, num grito de silêncio, porque era desse jeito que ele era, ninguém o havia ensinado a chorar e a dividir suas dores, o mundo esperava que fosse durão para que não o julgassem nem fraco e nem covarde. E, no entanto, agora José Roberto estava tendo a prova que, debaixo daquela fachada de fortaleza havia um coração tão terno e cheio de amor

A ultima página.

Aquela do dia em que ele havia saído de casa:

“Deus, o que fiz de errado para meu filho me odiar tanto? Por que sou considerado culpado, se nada fiz, senão tentar transformá-lo em um homem de bem? Meu Deus, não permita que esta injustiça me atormente para sempre. Que um dia ele possa me compreender e perdoar por eu não ter sabido ser o pai que ele merecia ter”.

Depois não havia mais anotações e as folhas em branco davam a idéia de que o pai tinha morrido naquele momento, José Roberto fechou depressa a caderneta, o peito doía.

O coração parecia haver crescido tanto, que lutava para escapar pela boca.

Nem viu o ônibus entrar na rodoviária, levantou aflito e saiu quase correndo porque precisava de ar puro para respirar.

Para ele, os pais eram descartáveis e sem valor como as embalagens que são atiradas ao lixo.

Afinal, naqueles dias de pouca reflexão tudo era juventude, saúde, beleza, musica, cor, alegria, despreocupação, vaidade.

Não era ele um semi-deus?

Agora, porém, o tempo o havia envelhecido, fatigado e também tornado pai aquele falso herói. De repente. No jogo da vida, ele era o pai e seus atuais contestadores. Como não havia pensado nisso antes?

Certamente por não ter tempo, pois andava muito ocupado com os negócios, a luta pela sobrevivência, a sede de passar fins de semana longe da cidade grande, à vontade de mergulhar no silêncio sem precisar dialogar com os filhos.

Ele jamais tivera a idéia de comprar uma cadernetinha de capa vermelha pala anotar uma a frase sobre seus herdeiros, jamais lhe havia passado pela cabeça escrever que tinha orgulho daqueles que continuam o seu nome. Justamente ele, que se considerava o mais completo pai da Terra?

Uma onda de vergonha quase o prostrou por terra numa derradeira lição de humildade.

Quis gritar, erguer procurando agarrar o velho para sacudi-lo e abraçá-lo, encontrou apenas o vazio. Havia uma raquítica rosa vermelha num galho no jardim de uma casa, o sol acabava de nascer. Então, José Roberto acariciou as pétalas e lembrou-se da mãozona do pai podando, adubando e cuidando com amor.

Por que nunca tinha percebido tudo aquilo antes?

Uma lágrima brotou como o orvalho, e erguendo os olhos para o céu dourado, de repente, sorriu e desabafou-se numa confissão aliviadora:

- “Se Deus me mandasse escolher, eu juro que não queria ter tido outro pai que não fosse você velho! Obrigado por tanto amor, e me perdoe por haver sido tão cego!”

(Autor Desconhecido)
“Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.” Êxodo 20:12

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Comentários (15)

  1. Rosangela disse:

    Feliz daquele que tem um pai para corrigir e não um pai permíssivo que faz todas as vontades dos filhos,para que eles gostem dele,hoje os filhos gostam amanhã quando a vida cobrar eles vão sentir porque o pai não foi energico.

  2. Neuma Lemos disse:

    O meu pai faleceu quando eu tinha 8 anos de idade, mas espero que essa menságem sirva como um puxão de orelhas para os filhos ingratos que não reconhecem que os pais so querem o melhor para eles. Um abraço!

  3. Edvania disse:

    Que texto maravilhoso!Eu infelizmente não tive oportunidade de conviver com meu pai,pois ele faleceu quando eu tinha 3 anos!Mas tenho uma mãe que supriu a falta dele sabiamente e tenho muito orgulho dela!
    Bjs!

  4. Eunice disse:

    Linda mensagem! Sou mãe e educadora e as vezes sinto isso na pele, quando desejamos o melhor para nossos filhos e somos maus compreendidos.
    Creio como cristã, que Deus um dia nos pedirá conta das “ovelhas” que nos confiou.Mas, prefiro pecar por excesso de zelo do que por negligência.
    Meu desejo e oração é que eles não precisem esperar a dor da perda ou serem pais, para valorizarem os pais.
    Cito sempre o verso de Provérbios 22:6.Compartilharei está mensagem com minhas filhas e alunos…abraços

  5. onibanilsa sousa disse:

    cinco anos se passaram que o meu velho pai se foi ,porém tenho certeza que ele deixou muitas recordações para seus filhos.Graças a Deus que ele foi um bom pai,ensinou-nos o caminho em que deveríamos andar e essa mensagem servirá para muitos filhos refletirem e para não terem remorsos quando seus pais também se forem. Um pai quer sempre o melhor para seus filhos.

  6. Loiva disse:

    foi mito boa e bom para aqueles filhos que nâo dâo valor pro pai que tem um abraço para todos os pais beijos.

  7. Loiva disse:

    vou envia para minhas amigas

  8. Loiva disse:

    muito boa a mensagem vou envia para minhas amigas.

  9. maria elizabeth lapenna riscalla disse:

    maravilhosa mensagem, qdo tinha meu pai vivo eu era a unica filha que o visitava, depois perdemos contato e soube de sua passagem mas garanto que sempre o amei como o amo ate hoje e sei tb que ele sempre esta ao meu lado, parabens estou muito emocionada pois se tivesse tido a oportunidade faria muito mais por ele, bjs em seus corações

  10. Nuri Victoria Falguera Guimarães disse:

    mARAVILHOSA ESTA MENSAGEN,VOU ENVIAR P/MEUS FILHOS QUE ACHAM O PAI CHATO,QUE SO PEGA NO PÉ,NÃO DEIXA SE DIVERTIREM,VE PERIGO EM TUDO ETC,TODO FILHO DEVERIA RECEBER UMA CADERNETA VERMELHA,ABRAÇOS

  11. Doris disse:

    Que hermoso mensaje, estoy muy emocionada y no he podido evitar que me corran las lagrimas. Ojala muchos hijos que son como Jose Roberto, lean este maravilloso mensaje para que aprendan a amar a sus padres cuando aun estan con vida. Muchas gracias. hermoso en verdad.
    Besitos.

  12. beatriz disse:

    nós apenas sabemos dar valor aquilo que perdemos…uma pena lastimavel.
    Meu pai também é falecido e até hoje tenho arrependimento pelas cartas que nao respondi.
    Deveriamos ser ensinados desde pequenos a dar valor aos nossos entes queridos e assim nao sentir culpa no momento de sua partida.

  13. Lucia disse:

    Maravilhosa essa mensagem. Vou enviá-la para meu primo, que na semana passada, agiu exatamente assim, com o pai dele, ou melhor o abandonou em um Hospital Público, para não pagar a enfermeira que cuidava dele, e ele com 82 anos, morreu sòzinho, deixando a mãe dele, de 80anos, esclerosada e com Alzeimer, sòzinha na vida. Deus não dorme, e certamente ele irá pagar tudo que fez, maltratando esses velhinhos. Desculpem o meu desabafo, estou revoltada! Lucia

  14. Tatiane Castanheira disse:

    Está mensagem é linda!

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